Viagens: millennials e o senso de realização pessoal

Por Tamyres Matos, jornalista e colaboradora do blog //

Vamos fazer uma reflexão geracional. Pense nas pessoas que você conhece que tem idades entre 24 e 38 anos. O que é mais importante para a maioria dessas pessoas: comprar mercadorias mais caras ou viajar? Existem diversas pesquisas que apontam que os millennials ou geração Y priorizam a experiência em detrimento do sentimento de posse. Queremos fazer nossa própria análise desse elemento (o que vai deixar óbvio que fazemos parte da supracitada geração).

São diversos os fatores que explicam isso. A relação dessa geração com as redes sociais é um deles e não pode ser ignorada. O sistema de compensação afetiva de algumas curtidas, alguns “ameis” e comentários positivos tem nas pessoas é basicamente como um entorpecente. Literalmente.

Um estudo realizado em 2012 na Universidade de Harvard mostrou que o nosso cérebro produz quantidades parecidas de dopamina (substância responsável pela sensação de prazer) quando comemos, bebemos, fumamos ou… temos uma postagem comentada, curtida e compartilhada em uma rede social. E, olha, ter autocontrole quando diz respeito a esse tipo de estímulo é mais complicado do que parece.

Ser realizado e feliz

Mas, ao nosso ver, a escolha pelas viagens em vez de comprar carros (quando a pessoa tem esse poder privilegiado de escolha, é claro) tem razões bem mais profundas e relevantes. Os millennials tiveram e têm mais tempo de “pensar no sentido da vida” do que a geração X. Nossos pais e avós tinham objetivos mais claros na vida, sempre evitavam escolhas (de novo, quando as possuíam) que representassem demasiados riscos. Chegamos a esse mundo junto com a explosão da Internet, com as multiplataformas de informação e com um complexo senso de realização pessoal.

Estamos dispostos a correr mais riscos em busca da subjetiva busca pela felicidade. Temos um senso de urgência e espiritualidade aguçado. Apesar das gerações anteriores talvez serem mais religiosas, no sentido institucional da palavra, chegamos a esse mundo acreditando muito no conceito de alma. Buscamos evolução espiritual, conhecimento direto da fonte, identificação com o diferente.

E viagens se enquadram muito nisso. Viajar é alimentar a alma, estar em contato com o novo de uma forma impossível de se reproduzir em outras situações. É claro que estamos falando de um momento de descanso da rotina de trabalho e, geralmente, em lugares com belezas naturais, o que impulsiona a sensação de bem estar. Mas o que se ganha em uma viagem é, de verdade, algo impossível de se precificar.

É um momento em que olhar pra dentro se torna propício. O desconhecido faz isso com a gente. Não do mesmo jeito que as reflexões duras e diversas do processo de amadurecimento e ao reconhecer de perto a finitude de todas as coisas. Mas de tão pequenos, nos sentimos gigantes longe de casa. E bonitos. E livres. Não a toa, cresce todo ano a quantidade de mulheres que desejam viajar sozinhas. Faz todo sentido em um mundo cada vez mais feminino (apesar dos pesares), de valorização da liberdade.

Assim que possível, viaje. Expanda-se. Busque, ao seu modo, os caminhos para uma vida cada vez mais feliz.

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