Só um diamante arranha o outro

Pedro era um grande cara. Tinha um coração enorme. Não suportava injustiças, e vivia em um mundo cercado delas. Não conseguia se conformar. Mas guardava isso dentro de si, como se vomitar tudo aquilo fosse muito duro. Como se os demais fossem doidos ou incapazes de compreender.

Já Alice era uma espécie de cigana solta no mundo. Tinha alma de artista. Era um gênio sonhador e romântico. Claro que ela também sentia a dor de estar em um mundo todo errado. Mas ela transformava esse sentimento em poema e música. E dançava. E tentava ver a beleza da vida. Colocava tudo pra fora. Não era alienação, era uma forma de sobrevivência.

Um dia Pedro e Alice se encontraram. Houve um grande choque. Uma atração irresistível, já que opostos se atraem. Ela quis viver, como vivia a arte, como vivia a vida. Já ele, achou por bem ir devagar e guardar um pouco aquela intensidade.

Como em um cabo de guerra, cada um puxou pro seu lado. Cada um tentou provar pro outro que o seu ponto de vista era o melhor. Eles se respeitavam, mas ainda assim discordavam. E foi uma disputa difícil, pois os dois adversários eram fortes, cada um a seu modo. Eles estavam a altura um do outro. Alice ouvira falar que só um diamante arranha o outro. Sim, ela era dura como pedra, mas Pedro conseguia arranhá-la. Poucos tinham aquele poder.

Ele era um diamante como ela. Um rosa, outro branco.

E aos poucos, como em uma luta interminável, o respeito foi acabando, acabando, e o amor murchando. Eles então se perderam, em uma luta interminável…

 

Obs: Esperavam um final feliz né? Eu também. Mas não deu. Pessoas perdem grandes oportunidades na vida por razões inexplicáveis.

 

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