O pássaro negro e sua bela liberdade

Um dia uma menina viu um pássaro voando no quintal de sua casa. Era um pássaro negro, de penas brilhantes. Tinha o canto mais lindo que ela já ouviu. Ia pra lá e pra cá alegremente, sem rumo, movido apenas pelos seus instintos.

Ela se encantou pelo pássaro. Observava pela janela sua liberdade, sua beleza e movimento. Ficou por horas ali parada, observando-o como em uma espécie de hipnose. Até que decidiu se aproximar dele. Sentia-se estranhamente atraída pelo pequeno.

O pássaro, esperto como era, também se aproximou da menina. Parecia que gostava de brincar com ela. Cantava, cantava e encantava. Viveram um momento mágico juntos. Mas a magia do encontro logo se quebrou, frágil como era.

A menina era da terra, Touro. O pássaro era do universo, Sagitário. Ela, apegada com bens, tentou prendê-lo numa gaiola. Ele, agarrado com a aventura, reagiu. Queria voar. Conhecer outros lugares, outras meninas como ela. Não fazia parte da natureza do pássaro ficar preso, estático, escravo.  A menina entendeu. E percebeu, acima de tudo, que deixá-lo numa gaiola tiraria pelo menos metade de sua beleza.

“Se o que me encanta é tua liberdade, não faz sentido tentar tirá-la de você. No fundo, no fundo, acho que eu queria ser assim também, livre de apegos, solta no mundo. Vai pássaro, vai, voa longe. Onde você estiver, eu estarei aqui, sempre com sua linda lembrança em meu peito”.

((… e se esse pássaro não é um pássaro? … e essa menina não é uma menina? … e se a literatura for a vida, “a vida apenas, sem mistificação”?…))

*imagem flickr Bruno Ferreira Augusto


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