Não estamos “em espera”

por Tamyres Matos, jornalista e colaboradora do blog //

As cobranças pelo amor romântico estão adoecendo as mulheres em uma complexa sociedade moderna. Existe aquela máxima que todas e todos conhecem: um homem sozinho é um aventureiro, desbravador; a mulher sozinha está a todo momento tapando os buracos da solidão. E, olha, MUITAS MULHERES realmente acreditam nessa tóxica visão. Mas essa questão é ainda mais profunda. A solidão é para muitas mulheres uma espécie de eterno “em espera”. Aguarda-se a presença do ser amado para, só então, descobrir o que é a verdadeira felicidade.

“Fica tranquila que logo logo terá alguém especial na sua vida”. “Se não deu certo agora, vai dar em algum momento”. Esses comentários raramente se dirigem a um homem. E as pessoas que os repetem não estão sendo maldosas, pelo contrário, mas as cobranças embutidas inconscientemente neles são as adoecedoras das quais falei no início do texto. É preciso olhar para a realidade com uma dose de romantismo (sem ela, eu provavelmente não conseguiria respirar), sim, mas é mais necessário ainda abrir os olhos para a realidade, para os fatos. Não sabemos nada sobre o que nos vai acontecer nessa entidade chamada futuro. Tentamos nos planejar, claro, mas isso é muito limitado. A vida é o que acontece entre um planejamento e outro.

Então, ao meu ver, é extremamente necessário lembrar que já temos a pessoa especial que mais importa na nossa vida: nós mesmas. E não estou falando como mecanismo de compensação para supostos fracassos, mas como a essência que devemos buscar com nossas ações. Essa espera nos deixa doentes e faz muitas de nós se jogar em verdadeiras ciladas só para sossegar o coração com o aparente fim da espera. Muitas mulheres incríveis se acham menores, pois não tem a “outra metade”. Isso é cruel, enlouquecedor, adoecedor. Afinal de contas, no glossário popularesco, solteirão é alguém que curte a vida até cansar e resolver, por escolha sua, se aquietar ao lado de uma mulher. E solteirona é uma mulher infeliz que, por escolha dos outros, teve de se resignar ao destino da ausência de uma parceria amorosa e refugia-se da própria infelicidade. É aí que mora o perigo.

PS.: Não estou dizendo que existe zero pressão nos homens, nem “abaixo ao casamento” ou que sou a gata-mestre dos paranauê sentimentais. O texto é fruto de uma reflexão minha como mulher solteira de 30 anos sobre os caminhos percorridos ao longo da vida.

O Blog Falando da Vida acrescenta só uma frase, de uma música porreta: “Ando só, como um pássaro voando” (Engenheiros do Hawaii).

 

(E agradece imensamente a colaboração desta mulher maravilhosa, que definitivamente ACORDOU INSPIRADA)

 

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