Liberte-se dos padrões para sua autoconstrução (e aceitação)

Por Tamyres Matos, jornalista e colaboradora do blog //

A sociedade está em ebulição. Vivemos um momento histórico em que os padrões são questionados e o conceito de representatividade é discutido com mais frequência. E por mais gente. É claro que temos um longo e árduo caminho pela frente, mas é um começo. No entanto, a influência subjetiva dos padrões aos quais somos expostos a todo momento é pungente e deixa o psicológico de muita gente abalado.

A sensação de quem não consegue alcançar determinados modos de existir considerados mais bonitos e mais interessantes é a de fracasso constante. E as redes sociais têm um papel significativo para a disseminação dessa projeção de si na realidade do outro. Ou da realidade do outro em si. Tudo é aparência. Seja o corpo, o rosto, o cabelo, as viagens, os amigos, os relacionamentos… a felicidade e o sucesso chegam às nossas telas determinando o que deve ser alcançado para conquistar a “perfeição” de uma vida “plena”.

Diversos estudos na área da psicologia já apontaram que a artificialidade e a busca constante por aprovação nas redes sociais trazem riscos para a saúde como ansiedade, estresse e depressão. Em alguns casos, a preocupação incessante com a visibilidade faz com que os chamados “influencers” dediquem uma enorme parte da sua vida a seguir padrões de beleza e consumo inatingíveis para a maioria das pessoas. Até mesmos para eles, por vezes, no que descamba para uma manipulação da realidade que beira o doentio.

Essa aritmética da felicidade faz sentido?

A existência de padrões culturais tem a ver com a essência humana. Tentamos a todo momento decodificar a nossa existência, tão caótica e aleatória quanto misteriosa. Isso é normal. Mas a partir do momento em que passamos a nos conhecer melhor, assim como o mundo a nossa volta, descobrimos aos poucos o que realmente nos faz feliz. E de que maneira nos encaixamos no mundo (mesmo que estejamos falando apenas daquele microuniverso que nos cerca). E a “fórmula” raramente vai ser a mesma para uma multidão.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar: não devemos depender da aprovação do outro para sentirmo-nos plenos. Até certo ponto, essa busca é normal. Humana. Mas o problema é quando ela passa dos limites e nos escraviza. Um risco potencializado pelo uso sem limites das redes sociais, como podemos observar. Na opinião do Falando da Vida, nossa busca é sempre pela liberdade de ser. Liberte sua mente dos padrões para descobrir quem você realmente é (ou, talvez, gostaria de ser).

É uma experiência do dia a dia, que pode ser observada nos detalhes. No que você faz ao levantar. Nas pessoas que estão a sua volta. Nos lugares em que você vai para se divertir. Nos momentos de solitude, de recolhimento. Na maneira como você se relaciona com o outro. Na responsabilidade afetiva (que não deve ser confundida com fazer exclusivamente o que o outro quer). Na roupa que você veste. Na sua utilização das redes sociais. Em como você se posiciona politicamente. Em como você ajuda quem está a sua volta… seja quem faz você viver mais momentos de equilíbrio e felicidade, independentemente do número de curtidas. Busque-se. E faça bom proveito de si mesmo.


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