Coma sua maçã

“O amor só dura em liberdade”. Assim como na letra de A Maçã, de Raul Seixas, às vezes na vida esbarramos com pessoas que queremos muito bem, com todo o nosso coração, mas parece que o destino (ou seja lá o que for essa força que move o mundo) não quer que isso se concretize na forma de um relacionamento fixo.

Aquele sentimento dura, de uma forma inexplicável, indefinível (sem o rótulo de amor, paixão, ou qualquer outra palavra típica), mas não dá certo de uma maneira “tradicional”, como em um casamento. Precisa de liberdade para que se mantenha, para que sobreviva.

Isso inclui conhecer outras pessoas e viver outras histórias, sem ciúmes, sem neuroses. Mas toda vez que você reencontra aquela pessoa, é como se alguma química guardada fosse reativada, como se o tempo não tivesse passado.

A maturidade nos permite enxergar isso melhor. Compreender que cada encontro tem sua função. E definitivamente aquele não é para ser como em um desenho da Disney. Quando somos muito jovens ou românticos demais temos a tendência de nos apegar demais à pessoa amada, projetando nela toda a felicidade que desejamos ter na vida. E cultivando uma imensa frustração e rancor quando não conseguimos algo estável com ela. Como se fosse impossível ficar bem de outra forma. E aí o tempo passa, passa, e você percebe que isso é possível sim, e que a vida é imensa e inesgotável. Infinita em possibilidades.

“Se esse amor. Ficar entre nós dois.Vai ser tão pobre amor. Vai se gastar…”

Isso acontece sempre. Acontece todos os dias. E muitas vezes ocorre porque não enxergamos que a convivência diária e exclusiva vai sabotar aquilo. E mesmo assim, mesmo sabendo das inúmeras dificuldades desse tipo de relação, muitos de nós seguem corajosamente se arriscando em mais e mais relacionamentos fixos, em namoros, noivados, casamentos. Isso é normal. Viver é uma grande tentativa de ver no que dá.

Mas para além dessa verdade evidente, existem muitas outras magias no submundo dos sentimentos. Aqueles pequenos detalhes que tornam a vida mais colorida. E que muitos, seja por estilo de vida, religião, vivência pessoal, ou qualquer outro motivo, não admitem existir. Criticam. Julgam.

Mas existe. É inegável. E está provado e pra lá de comprovado. Pelos maiores poetas. Por Raul Seixas!

“Coma sua maçã sem culpa. Cometa seu pecado. Viva sua liberdade, mesmo gostando de alguém ou de alguéns. E seja feliz sem se preocupar com o que vão pensar ou dizer. Só mantenha a paz com a sua consciência e seja transparente em suas atitudes”.

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