A mulher e a cobrança eterna pelo lugar onde não se está

Por Tamyres Matos, jornalista e colaboradora do blog // O ser humano em geral é repleto de inseguranças. Existem as cobranças por sucesso, beleza, talento, destaque. Mas o caso das mulheres, ousamos analisar, é grave e ostensivo. É claro que esse texto é escrito da perspectiva de uma mulher e que cada uma tem suas especificidades, mas existem padrões que podem ser observados por qualquer um que preste 3 minutos diários de atenção. E uma coisa é fato: é muito comum a mulher cobrar de si um existir que não é o dela, esquecendo de prestar atenção no que se, efetivamente, é.

O machismo ostensivo da sociedade tem muito a ver com isso, mas essa não é exatamente a lógica que queremos abordar nesse texto (apesar de ser algo impossível de se ignorar). Queremos que cada mulher que leia esse texto se lembre da última vez que ousou sentir admiração por si mesma. E que tenha sido bem recente, de preferência hoje. Temos que nos conhecer bem, defeitos, qualidades, peculiaridades, prazeres… e temos que nos amar, não focar somente na sensação de que reparos precisam ser feitos a todo momento.

O que queremos dizer com a “cobrança eterna pelo lugar onde não se está” estamos nos referindo a essa ânsia de se “corrigir”. E não estamos aqui abordando a busca por evolução espiritual, por aceitar melhor as diferenças (essas a gente deve manter por toda a vida). Estamos falando dos constantes dedos acusatórios em direção ao espelho (tanto o literal quanto o metafórico).

“Eu preciso emagrecer”, “meu nariz precisa de um reparo”, “essa marca nos meus olhos…”, “tô horrorosa hoje, vou colocar uma maquiagem”… é claro que é possível ouvir essas frases da boca dos homens, mas é comum? Em fins de relacionamento, as mulheres que se tornam “a ex” quase sempre saem rotuladas como loucas e se afundam em questionamentos sobre o que fizeram de errado. É preciso que as mulheres tenham um olhar mais afetuoso para si mesmas.

Não há aqui negação do desejo de mudança ou da vontade de realizar o que quer que seja, mas vivemos tempos de batalhas contra a superficialidade. E, infelizmente, ela tem vencido com a ajuda do mau uso das redes sociais e da consequente ansiedade generalizada.

Acreditamos que é somente um ajuste de verbos. Admire, mas não idealize. Sonhe, mas não obsessione. Seja, não somente aparente. Sinta.

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